A principal novidade no que diz respeito ao panorama político italiano tem a ver com a formação de um novo governo, após a dissolução do acordo entre os partidos Movimento Cinco Estrelas e A Liga, que há dois meses tinha no ministro da Defesa, Matteo Salvini, o principal porta voz do discurso da extrema direita e, consequentemente, anti-imigração.

Salvini, que promoveu uma séria de mudanças no país que prejudicou e muito a vida de refugiados e imigrantes no país da bota (fechamento dos portos e consequente impedimento da chegada de novos barcos via mar Mediterrâneo, e decretos como o que negou a inserção no mercado de trabalho para solicitantes de asilo são apenas alguns exemplos) já é carta fora do baralho. O político perdeu o cargo após o Movimento Cinco Estrelas (vencedor das eleições do ano passado) conseguir um acordo com o Partido Democrático (PD), seu antigo arquirrival, para impedir assim a realização de novas eleições.

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O Decreto Salvini agora está sendo revisto no Congresso Italiano e o discurso é mais moderado, tendo a Itália, inclusive, liderado as negociações para uma coalizão europeia na tentativa de que se volte a abrir os portos na Sicília para o resgate de novos refugiados. Ainda não existe um acordo assinado, mas, além dos italianos, franceses, alemães e espanhóis, além de Malta, já acenaram que estão de acordo com a divisão dos novos solicitantes dentro da União Europeia, sem sufocar ainda mais o já combalido sistema de acolhimento local.

Se, enfim, há uma luz no fim do túnel para um discurso mais humano, infelizmente, a situação em Roma ainda está bastante complicada: são poucos os jovens e famílias vulneráveis que conseguem vagas nos centros de acolhimentos e ainda é bastante comum caminhar pela capital italiana, longe do centro turístico, e observar a enorme quantidade de africanos dormindo nas ruas na intempérie de um inverno que se aproxima e promete ser duro.