Emmanuel Bantu, 20, deixou o nosso projeto de moradia temporária em Atenas no último dia 7 de outubro. Há dez meses, este jovem congolês, perseguido pelo governo local por participar de manifestações que eram contra as violações de direitos humanos no país africano, chegou à casa apenas com seu pedido de asilo, e com um nível de inglês que não passava de um “how are you” (como você está?). Em seu jantar de despedida, promovido pelos nossos voluntários e residentes, já tinha o seu status de refugiado, documento de identidade e passaporte e já se comunica perfeitamente na língua inglesa. Um avanço que nos enche de orgulho.

Residente obtém documentos e viaja à França para visitar família

“Encontrei a estabilidade que eu precisava para crescer, ser um homem. Não vou esquecer os momentos, as aulas de inglês, que compartilhamos, e toda a ajuda que vocês me deram para conseguir realizar o meu maior sonho”, agradeceu Bantu, que com os seus devidos documentos, e agora independente, viajou a Paris (França) para encontrar o seu irmão, que não abraçava havia cinco anos. Merci, Emmanuel e boa sorte!

100% independentes

100% independentes

Kazem Ahmadi (esquerda) e Najeeb Habib (direita) são dois jovens (24 e 23 anos, respectivamente) nascidos e criados no Afeganistão, um país que vive já uma longeva guerra entre o governo local e Talibãs dentro do contexto de 18 anos de ocupação norte-americana e europeia. Há nove meses, chegaram ao nosso projeto de moradia temporária em Atenas depois de semanas vivendo pelas ruas e dormindo em parques locais, completamente fora de qualquer programa de acolhimento oficial do governo grego.

Estudiosos, ambos têm um nível de inglês que entre os voluntários costumamos dizer que “falam como se fossem americanos”. Portanto, focamos em dois propósitos: documentação e inserção no mercado de trabalho. Com os devidos currículos atualizados e preparados para as entrevistas, primeiramente Najeeb conseguiu vaga como tradutor oficial (Farsi-Inglês) no Conselho Grego para Refugiados em abril passado. Logo, o mesmo Najeeb, totalmente adaptado ao posto de trabalho, indicou o companheiro, que também obteve um contrato laboral dentro da mesma organização. Companheiros de projeto, companheiros de labuta!

Najeeb ainda não conseguiu o seu passaporte de refugiado (ainda não obteve resposta do sistema de asilo, programada para o mês de novembro), mas Kazem, em sua folga de uma semana, já conseguiu viajar para visitar a sua família, que atualmente vive em Frankfurt, Alemanha. Passaporte na mão, claro. Havia quatro anos que ele não encontrava seus irmãos e conheceu pela primeira vez seu sobrinho e sua sobrinha.

Independentes, chegou o momento de eles deixarem o projeto. E, claro, amigos, seguirão morando juntos: em breve, assinarão um contrato de aluguel, pagarão seus próprios impostos, como qualquer cidadão europeu que tem direito a uma vida digna, um futuro decente.

Boa sorte, rapazes!